
Arte Pública · Porto Alegre · 2024–2025
o que a água tocou, galhos e cerâmica agora constroem.
Uma escultura de 5,30 metros que transforma memória, dor e resiliência em arte pública — por Rogério Pessôa.
Sobre as Palafitas Emocionais
Antes de existir no mundo, toda obra nasce no silêncio.
As Palafitas Emocionais são uma escultura pública em construção pelo artista Rogério Pessôa. Ao longo dos próximos meses, você vai acompanhar cada passo: o conceito, os materiais, o processo, os bastidores e a construção até a inauguração.
“É uma homenagem às estruturas internas que nos sustentaram quando a água subiu, nossas palafitas emocionais.”
Idealizada no exato momento em que a cota de inundação do Guaíba atingiu 5,30 metros — marca histórica sem precedentes —, a obra materializa visualmente a real dimensão daquele evento. Ver uma escultura com a mesma altura das águas que invadiram lares, ruas e vidas é confrontar-se com o quanto somos pequenos diante das forças naturais.
A catástrofe ocorreu justamente durante o desenvolvimento da série Vila dos Olhos Fechados — esculturas de casas em cerâmica. Com o ateliê do artista, localizado no bairro Floresta, também atingido pelas águas e 40 dias de deslocamento forçado, emergiu a imagem das palafitas: não apenas como solução construtiva, mas como metáfora da força interior que permitiu ao povo gaúcho se reerguer.
A medida da memória
A medida não é apenas estética: é testemunho. A cota máxima do Rio Guaíba durante a enchente de maio de 2024 foi o ponto de partida conceitual da obra — galhos e cerâmica erguidos à mesma altura das águas que transformaram Porto Alegre para sempre.
Principal mecanismo público de fomento à arte de Porto Alegre.
Processo · Registro


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Rogério Pessôa